O Japão urbano do século XVIII representado na arte
 O Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, em conjunto com o Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro, está sediando a exposição "Ukiyo-E - Cenas do Mundo Flutuante". Para quem não sabe "ukiyo-e" é o nome dado a um estilo de xilogravuras (gravuras feitas em madeiras) japonesas produzidas entre os séculos 17 e 20, e foi a partir delas que o termo mangá surgiu e foi se desenvolvendo. O termo "ukiyo-e" significa, basicamente, "gravuras do mundo flutuante", onde "mundo flutuante" é uma referência ao "mundo miserável", como "ukiyo" é conhecido na religião budista para representar a breve passagem humana na Terra. Esse tipo de arte, de custo baixo, era muito popular em Edo (atual Tóquio), Osaka e Kyoto e representava a vida urbana e cultura popular local da época, como o teatro Kabuki ou as cortesãs do distrito de Yoshiwara. Utamaro, Hokusai, Hiroshige, e Sharaku são os principais nomes dos "ukiyo-e", tendo todos vividos no século XVIII, e uma pequena amostra das obras desses 4 artistas que está à mostra na exposição.

As cerca de 50 obras estão disponíveis no segundo andar do museu e estão expostas em duas salas. Destaco as obras de Katsuhika Hokusai e Ando Hiroshige, na minha opinião as mais interessantes e bonitas da mostra. Eu ficaria muito feliz se acontecesse uma exposição maior só com obras de Hokusai, este que criou a série de ukiyo-e que eu acredito ser mais famosa entre todas, a "36 Vistas do Monte Fuji", cuja xilogravura mais conhecida,"A Grande Onda de Kanagawa", faz parte da exposição e ilustra esse texto ao fim desse parágrafo. Ele ainda é o criador do termo "mangá", cujo significado é "Desenhos Involuntários", utilizado pela primeira vez no título de outra grande série de ukiyo-e, a "Hokusai Manga". Hoje o termo é utilizado para as histórias em quadrinhos japonesas. Seria legal ver algumas obras dessa coleção numa exposição!

Para quem não sabe, o Museu Nacional de Belas Artes fica na Avenida Rio Branco, 199, ao lado da Biblioteca Nacional, perto da estação Cinelândia do Metrô. Ah, uma dica: até este domingo a entrada é franca! E pra quem se interessa, essa é só um dos eventos realizados pelo Consulado Geral Do Japão no Rio de Janeiro nesse período que vai até o início de junho. Para mais informações, só clicar aqui! -------------------------------------------------------
Antes eu tava pensando em usar esse espaço apenas para textos mirabolantes, bem pensados, de opinião, bonitos, bastante apurados, e talvez até confuso. :p Mas pensando bem... Porque não relaxar e escrever outras coisas sem tanta perfeição assim? Isso não significa que deixarei de fazer posts com as características acimas, coisa que eu adoro fazer e ainda mais compartilhar! Mesmo porque posts menores podem acabar sendo um bom rascunho para um bom texto! Aliás, pra estes, divulgarei num link exclusivo, tal como estou fazendo com as resenhas.
Escrito por Guilherme Neto às 01h22
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Dúvida pós-moderna
 A pós-modernidade está bastante em voga desde o fim do século passado. Principalmente no que concerne a arte. Visite qualquer museu ou exposição com esse tema e veja. Guardas-chuvas pendurados, páginas rasgadas, lixo, qualquer junção de letras digitadas com o cotovelo no teclado... Arte? A pós-modernidade diz que sim.
A dita pós-modernidade se caracteriza pela descaracterização. Tudo é tudo, logo, nada é nada. Nada é, tudo está. Tudo é, nada está. E no fim, tudo depende. A pós modernidade já parte do pressuposto que tudo pode mudar, logo, não podemos viver o que "é", mas o que "está". O Pós-Modernismo, diz-se, surgiu no capitalismo pós-industrial e caracteriza um rompimento com qualquer verdade absoluta, trazendo valores cada vez menos fechados. Ou seja, porque então aquelas coisas não seriam artes se tudo dependeria só de um ponto de vista momentâneo?
A pós-modernidade se alia ao discurso capitalista globalizado e torna as culturas cada vez mais abertas, transponíveis, descentralizadas, sem limites, multiplicada e espalhada por todo o mundo. E isso é muito bom, mas não quando se tenta afirmar que o que existe hoje é uma miscigenação de cultura única por todo o planeta, criando uma homogeneização cultural. Isso não é nem um pouco bom.
Ernest Gellner, famoso filósofo e antropólogo do século XX, explica melhor no seu livro "Pós-modernismo, razão e religião" (de 1992):
"O pós-modernismo é um movimento contemporâneo. É forte e está na moda. E sobretudo, não é completamente claro o que diabo ele é. Na verdade, a claridade não se encontra entre os seus principais atributos. Ele não apenas falha em praticar a claridade mas em ocasiões até a repudia abertamente...
A influência do movimento pode ser discernida na Antropologia, nos estudos literários, filosofia...
As noções de que tudo é um "texto", que o material básico de textos, sociedades e quase tudo é significado, que significados estão aí para serem descodificados ou "desconstruidos", que a noção de realidade objectiva é suspeita - tudo isto parece ser parte da atmosfera, ou nevoeiro, no qual o pós-modernismo floresce, ou que o pós-modernismo ajuda a espalhar.
O pós-modernismo parece ser claramente favorável ao relativismo, tanto quanto ele é capaz de claridade alguma, e hostil à ideia de uma verdade única, exclusiva, objectiva, externa ou transcendente. A verdade é ilusiva, polimorfa, íntima, subjectiva ... e provavelmente algumas outras coisas também. Simples é que ela não é...
Tudo é significado e significado é tudo e a hermenêutica o seu profeta. Qualquer coisa que seja, é feita pelo significado conferido a ela... "
A verdade (ou, em termos pós-modernos,a minha verdade atual) é que esse discurso pós-moderno destrói parâmetros. E isso não é bom. O mundo precisa de semelhantes e contrários para poder se caracterizar. Precisamos de opostos e diferenças pra categorizar e reconhecer as coisas. Eu acredito nessa filosofia yingyang, dos contrastes, do bem existindo apenas quando há um mal. E a dita pós-modernidade vem destruir isso, e causar transtornos, confundindo tudo e todos. Afinal, sendo assim, o que seria arte hoje em dia? O que é reality show e o que é ficção? O que é o amor? O que é esporte? O que é a vida? Ah, depende né??
O seu próprio discurso se contradiz, quando afirma que a verdade nunca é a mesma sempre, pra qualquer um. Há quem ainda se pergunte se o pós-modernismo sequer já começou já que, afinal... o que é mesmo pós-modernismo? É tudo com nada? Depende??
Por isso, eu acho meio balela essa história de pós-modernidade. Se formos pensar assim, tamos meio ferrados. Temos que viver o que somos, o que "é", acreditamos que somos, que "é". Se podemos mudar, encontrar novas verdades, diferentes respostas? Claro que sim. Mas não devemos viver pensando nisso, ou talvez não estejamos vivendo o que temos por completo, sempre esperando ou temendo a mudança.
Eu acho que a ideologia da pós-modernidade deve ser levada no sentido de que não devemos nos prender à regras, que pra tudo há uma balança, um custo-benefício o qual devemos atingir. Afinal, tudo tem seus prós e contras, seus semlhantes e contrários. Às vezes, você pode mudar de opinião, idéia, lado... Mas não tema isso, acredite no que acreditar, acredite no "é" se achar que deve! Se mudar de idéia... bom, acontece! Não precisa é temer isso exageradamente ou não reconhecer isso.
Vivamos o "ser", sem se preocupar se ele "está"! Porque, quem sabe, não "é"? Pelo menos até o fim da sua vida... --------------------------------- Fonte e mais informações http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%B3s-modernidade --------------------------------- *fazendo do meu blog uma arte pós-moderna :P*
Escrito por Guilherme Neto às 23h35
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Corto Maltese - Balada do Mar Salgado Autor: Hugo Pratt Editora: Pixel Media Data de lançamento: Janeiro de 2006
A crítica especializada anda dizendo isso e, bom, eu vou fazer o mesmo: a editora Pixel Media (uma união da Futuro Comunicação, empresa "desmembrada" da Conrad Editora, com a Ediouro) começa muito bem o seu objetivo de, como dizem na primeira página dessa edição, "privilegiar grandes autores e desenhistas com trabalhos originais e de relevância nesse universo". Ainda dizem: "Claro que nada poderia ser melhor que ter Pratt ao nosso lado". Eu ainda não sei se isso é verdade, mas acredito que sim. Corto Maltese é dito como uma das maiores obras-primas de HQ da história. E eu acho que estou começando a descobrir porquê.
O mais importante, a história, agrada, bastante até. com sua dramaticidade e humor em um misto de aventura pelo mundo. Nela, Cain e Pandora Groovesnore, dois jovens náufragos e herdeiros de uma boa fortuna, são mantidos reféns de um grupo de piratas, entre eles Corto Maltese, comandado por um personagem conhecido apenas como Monge e grande dominador dos mares da região. Eles acabam se envolvendo em aventuras dignas de piratas marítimos, enquanto tentam fugir de sua dominação. Dito assim, parece comercial de Sessão da Tarde da Rede Globo, não? Mas acredite, é mais que isso. A HQ acerta ao retratar uma época e cenário pouco recorrente nas histórias em HQ (no caso, o Sudeste Asiático da década de 10). E isso se faz precisamente, mostrando diversas ilhas da região, além de nos fazer mergulhar um pouco na cultura e história locais. Pelo que li por aí, característica recorrente em toda a série Corto Maltese.
O personagem Corto Maltese agrada, com seu estilo solitário, sem se prender a nada, e sempre em busca de aventuras. Eu diria que é uma espécie de James Bond dos mares, exceto pelo fato que ele faz tudo por si mesmo, para si mesmo, porque ele mesmo quer. A arte também é satisfatória, mas faz o estilo "rabisco sem aprimoramento" (não sei explicar melhor ), o que não curto muito. Fora que por diversas vezes os personagens estão com uma cara diferente em diversos quadrinhos, dificultando reconhecê-los imediatamente.
A edição da Pixel Media é de luxo e bem grandiosa, trazendo dois textos bastante interessantes de dois jornalistas (Rodrigo Fonseca, do jornal O Globo; e Sidney Gusman, o renomado jornalista especializado em quadrinhos do site UniversoHQ.com.br), onde trazem informações interessantes sobre Hugo Pratt e Corto Maltese. O preço poderia ser menor (apesar do formato luxo 19x25cm, são apenas 176 páginas majoritariamente em preto e branco), mas é até aceitável considerando o que vemos por aí.Que venha mais Corto Maltese! A Editora promete trazer toda a série, que bom! ^^
Personagem preferido: Corto Maltese Página mais interessante: página 99 - o Monge explicando o motivo de querer Corto Maltese viajando com ele, que nada mais é para evitar que este se engrace para Pandora. Corto Maltese ri disso (eu também XD), o que provoca a fúria do Monge, que ataca o nosso protagonista.
XXXHolic 1 Autor: CLAMP Editora: JBC Data de lançamento: Março de 2006 A JBC mais uma vez traz ao Brasil um novo título da CLAMP. E surpreende pela forma de lançamento. Não apenas um, mais dois títulos da CLAMP chegam ao mesmo tempo pela editora. Além de XXXHolic, Tsubasa RESERVoir Chronicle já está confirmado. Ambas as séries serão bimestrais. Ou seja, em um mês teremos XXXHolic, no outro Tsubasa, e assim vai. Isso acontece porque ambas as histórias tem diversas ligações que se entrelaçam. A leitura de um ajuda a entender melhor o outro.
Em XXXHolic, somos apresentado a Kimihiro Watanuki, um típico estudante japonês. Ou melhor, nem tão típico: ele é atormentado por fantasmas! E por causa deles, acaba entrando, mesmo que involuntariamente, numa curiosa loja cuja dona, a misteriosa feiticeira Yuuko, promete atender qualquer desejo, desde que receba um pagamento justo. Ele deseja não ser mais atormentado por fantasmas e, como pagamento, Yuuko lhe impõe que trabalhe na loja. E assim segue o mangá, sempre contando histórias com um toque sombrio e sobrenatural, em meio a boas doses de humor e alguns crossovers de outros mangás CLAMP (entre eles Tsubasa RESERvoir Chronicle).
A JBC acerta em trazer capa e contra-capas com imagens diferentes (uma delas na horizontal), exatamente como no original. Porém, peca por adotar o formato dividido, meio "tankohon" (como é chamado um volume de mangá no Japão), com o preço de R$ 5,90 (ou seja, juntando dois números, mais caro que os costumeiros R$ 9,80 que a editora vem adotando para os seus tankohon desde o lançamento de X em dezembro de 2003). Ela ainda adota aquela qualidade "marromeno" (com as páginas unidas por cola, e seu eterno risco de descolar -por enquanto, a edição que tenho aqui ainda tá inteira), e não traz as páginas coloridas, como no original. Fora o fato de ser "meio tankohon"! Com dois títulos se alternando em meio tankohon a cada vez, posso prever pelo meus cálculos que teremos mais de 4 anos de Tsubasa RESERvoir Chronicle e XXXHolic nas bancas.
Personagem favorito: Yuuko Ichihara (como ela mesmo diz, o nome é falso :P) Página mais interessante: capítulo 2, página 50 - Yuuko, com uma réplica do báculo de Sakura (de Sakura Card Captor), fala que no futuro em breve encontrará ela e Shaoran. Além disso, no detalhe, podemos ver Mokona branco, ainda dormindo. ------------------------------------------------------------------- Próximas resenhas: SandLand, Priest 3, Tsubasa RESERvoir Chronicle 1, V de Vingança (filme e...HQ?)
Escrito por Guilherme Neto às 16h27
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Eu devo, a partir de agora, fazer pequenas resenhas de diversos filmes e, principalmente quadrinhos, a ser publicadas neste blog. Nada muito importante, só uma opinião de fã mesmo. Não sou nenhum especialista em filmes e quadrinhos, até pretendo ser, (bom, pelo menos de mangá eu já entendo e consumo bastante), mas gostaria de trocar opiniões sobre o que venho lendo. Seria bom se a galera que visita o blog comentasse meus comentários, e dessem os seus, trocássemos opiniões!
As resenhas mais novas serão publicadas aqui nessa página principal assim que forem novidade. E a medida que forem surgindo, vou agrupando em links. Tomemos por exemplo Cavaleiros do Zodíaco - Episódio G #8. Ao clicar na imagem do mangá ou nome deste, abre uma nova janela com a resenha. Em outro mês, quando o texto referente ao número 9 estiver aqui, quem clicar na capa ou nome verá na nova janela um novo link com todas as resenhas já publicadas deste título (no caso, terá de Cavaleiros do Zodíaco - Episódio G #8 e #9).
É isso! Todos poderão saber a cena (ou página, no caso de mangás) que mais me chamou a atenção, além de meu personagem preferido! Fica ligado que cada imagem de capa tem uma mensagem escondida, só deixar o mouse parado!
Futuramente, posso vir a editar as resenhas, eu avisarei aqui sempre que editar. Nos próximos dias vou colocar uma lista à direita com os mangás até então resenhados.
B'T X 14
Autor: Masami Kurumada Editora: JBC Data de lançamento: Abril de 2006 Nesse número, vemos a luta de Foh contra o último General Demoníaco, o "Filósofo da Escuridão" Gai, com o seu B'T Shen Dyu. Depois da luta de inteligência de Hokuto e Doutor Poe, a ação volta no mangá. O que não significa lá boa coisa, já que é mais do mesmo (bate um pouco, apanha bastante, vira o jogo no final, vilão chora e se arrepende).
O mangá chega a sua reta final (o último número é o 16) e, que bom, tá acabando! Já era tarde! Com certeza um mangá que não vale a pena comprar (faça como eu e arrume emprestado de alguém ;p).
Personagem preferido: Foh Página mais interessante: Ato 1, página 24 - Madona (B'T do Metal Face) conta o seu sonho e como chorou ao ver X "morto". Às vezes me vem a impressão que o Masami Kurumada quer zoar o próprio mangá. Ele tá é certo :P
Cavaleiros do Zodíaco - Episódio G Autor: Masami Kurumada (roteiro) e Megumu Okada (arte) Editora: Conrad Data de Lançamento: Abril de 2006
O mangá Cavaleiros do Zodíaco - Episódio G chega ao seu oitavo volume. Na história, o temido deus dos deuses Cronos surge no Santuário e tenta reaver a sua "sohma" (como chama o seu tipo de armadura) Megas Drepanon, aprisionada embaixo da estátua de Atena. Saga, como Mestre do Santuário, proíbe que os Cavaleiros de Ouro o impeçam.
Nas páginas coloridas, aparecem Kanon e as armaduras dos Generais Marinas e Poseidon, pela primeira vez retratadas no traço de Megumu Okada. Essa "história dentro da história", em si, não acrescenta em muito à série como as de outros volumes. O resto mangá agrada trazendo Saga "do bem", o Cavaleiro de Gêmeos, acordando, mesmo que rapidamente. Ele luta contra Cronos utilizando a adaga de ouro que lhe foi concedida. Teria sido mais interessante se ele sim tivesse afugentado o deus, mas no fim cabe ao protagonista Aiolia continuar o trabalho. Nesse número, o Cavaleiro de Leão utiliza um novo golpe (divido em três etapas) e as sexy titãs surgem, além de um Cronos em um corpo humano (que me lembrou o Hades nos traços de Kurumada).
Surpresas, ahn? Gostei desse número! A arte do mangá continua impecável, com sua excessiva cor preta muitas vezes em contraste com intensas luzes brancas, o que dá um certo caráter épico que cabe muito bem ao universo CDZ. Pena é que em cenas de ação é meio complicado distingüir o que está acontecendo!
Personagem preferido: Aiolia Página mais interessante: o surgimento de Saga "do bem", com a armadura de Mestre do Santuário se soltando ao dar lugar à armadura de Gêmeos (capítulo 30, página...não tem numeração XD)
Escrito por Guilherme Neto às 02h38
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